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sexta-feira, 11 de junho de 2010

FEBRE


A febre é um sinal tão comum que a maioria de nós nunca parou para pensar no seu real significado.

Por que temos febre? Para que ela serve? Ter febre é bom ou é ruim? Ter febre faz mal ou faz bem? Quanto maior a febre mais grave é a doença? Existe febre interna?

A febre não é uma doença, é um sinal de doença. Assim como na produção de inflamação e pus, a febre é um mecanismo de defesa e um sinal de alerta do nosso organismo ( leia : O que é o pus ? O que é um abscesso? O que é uma inflamação?).

O corpo humano apresenta uma temperatura normal entre 36 e 37,5ºC. Ela sofre alterações ao longo do dia, estando mais próxima de 36ºC durante a madrugada e mais para 37,5ºC no final da tarde. É o ciclo circadiano da temperatura corporal.

Podemos aferir a temperatura corporal de 3 maneiras, com resultados diferentes:

- Temperatura axilar - Normal até 37,2ºC

- Temperatura bucal (boca) ou timpânica (ouvido) - Normal até 37,5ºC

- Temperatura retal (ânus) - Normal até 38ºC

Aumentos da temperatura corporal podem ocorrer em situações que não indicam doença como exercício físico, ambientes muito quentes ou frios, excesso de roupa ou alterações no ciclo hormonal feminino.

Para evitar fatores confusionais, normalmente consideramos febre uma temperatura maior que 37,5ºC na axila e 38ºC no ânus. Em geral, a febre vem acompanhada de outros sintomas como mal estar, dores de cabeça e no corpo, astenia e perda do apetite.

Chamamos de febrícula ou estado sub-febril, os aumentos de temperatura entre 37,2ºC e 37,8ºC, que muitas vezes não apresentam significado clínico ou indicam doenças não infecciosas (explico mais a frente).

Não existe febre interna. O nosso organismo é um só. A febre é o aumento da temperatura de todo o corpo, inclusive da pele. Se o termômetro não mostra febre, é porque não há febre. Não há como o corpo ter febre internamente e a pele não aquecer junto. Nosso corpo não é garrafa térmica para ficar quente por dentro e frio por fora.

Quando estamos diante do aumento de temperatura de uma parte específica do corpo, isso é chamado de inflamação localizada. Normalmente vem acompanhada de dor e vermelhidão local. Pode haver ou não febre associada. Por exemplo, uma artrite de joelho, devido a grande inflamação local, causa aumento de temperatura restrita ao joelho. Porém, se esta artrite tem origem infecciosa, pode haver também, além da artrite, febre e elevação da temperatura em todo organismo.

Como então surge a febre ?

Nos textos sobre AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS DOS ANTIINFLAMATÓRIOS e O que é uma inflamação?, eu explico com detalhes como o sistema imune lança mão de processos inflamatórios para nos defender de germes invasores. A febre é mais um componente deste processo.

Dentro no nosso cérebro temos uma região chamada de hipotálamo, que é o nosso termostato. É lá que se decide se o corpo vai gerar calor ou perdê-lo, sempre visando a manutenção de uma temperatura corporal estável (o setpoint da temperatura).

Quando somos invadidos por micróbios como vírus e bactérias, nosso corpo ativa suas células de defesa para combater essa infecção. Durante a batalha entre os glóbulos brancos e os invasores, os primeiros produzem substâncias que levam a produção das prostaglandinas, mediadores inflamatórios que ajudam no combate as infecções.

As prostaglandinas são as substâncias responsáveis pela presença de inflamação e dor, e quando alcançam o hipotálamo, fazem com este aumente a temperatura corporal. O hipotálamo passa a induzir o nosso organismo a produzir calor e aumentar o seu setpoint. Em vez de 36,5ºC, o corpo agora passa a considerar sua temperatura correta em algum ponto acima dos 38ºC.

A temperatura de 36,5ºC só é restabelecida quando há diminuição do estímulo das prostaglandinas. É por isso que os antiinflamatórios e antitérmicos, drogas que inibem as prostaglandinas, atuam sobre a febre.

Como o hipotálamo faz para elevar a temperatura ?

O corpo gera calor de várias maneiras, através da contração muscular, dos calafrios, da contricção dos vasos sanguíneos periféricos, da acelaração dos batimentos cardíacos etc. Quando o setpoint se eleva, você sente frio e procura se aquecer até que a temperatura do corpo alcance aquela que foi estipulado pelo hipotálamo. Neste momento você está todo encolhido, tremendo, cheio de roupa e debaixo de um cobertor.

Quando as prostaglandinas diminuem, o hipotálamo volta a reduzir o setpoint, e o corpo para rapidamente reduzir sua temperatura, provoca uma sudorese intensa, dissipando o calor. É por isso que às vezes suamos muito depois de tomar algum antitérmico.

Por que quando fazemos exercícios sentimos calor e quando temos febre sentimos frio, já que nos dois casos ocorre elevação da temperatura corporal?

A resposta para a pergunta está no setpoint estabelecido pelo hipotálamo. O frio ou o calor são na verdade uma interpretação do cérebro para o nossa temperatura corporal, e não necessariamente têm a ver com a temperatura ambiente.

No caso do exercício físico o nosso cérebro está programado para manter a temperatura por volta dos 36,5ºC. Quando os nossos músculos geram uma grande quantidade calor, o cérebro reconhece que o corpo está se aquecendo, estando acima da temperatura estabelecida como correta, e toma providências para esfriá-lo.

Na febre o hipotálamo programa o termostato para, por exemplo, 40ºC. Enquanto o corpo não chegar a esta temperatura, o cérebro vai mandar informações dizendo que está frio. Podemos estar com 38,5ºC de febre e ainda assim o cérebro interpretará isso como temperatura corporal baixa.

Mas por que então o corpo eleva sua temperatura ?

As bactérias e vírus gostam de viver em temperaturas a volta dos 36-37ºC. É o ponto onde eles são mais ativos. O aumento da temperatura corporal tem como objetivo atrapalhar as funções básicas dos invasores e também estimular a função das nossas células de defesa que passam a funcionar melhor nessas temperaturas.

A febre também é um sinal de alerta que nos indica que algo de errado está acontecendo. Com a idade, perdemos progressivamente a capacidade de gerar calor, e muitos idosos apresentam infecções graves sem febre. A ausência de febre e seus sintomas fazem com que o doente demore mais tempo para procurar auxílio médico, o que favorece o desenvolvimento da sepse ( leia : O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ? ).

Se a febre é tão boa, porque baixá-la?

A febre causa muitos sintomas desagradáveis como dores no corpo, dor de cabeça, perda de apetite, astenia etc... Se o paciente já está sendo corretamente tratado para a infecção ou se a febre é causada por algo não infeccioso como câncer, doença auto-imune ou exposição exagerada ao sol (explicarei as causas abaixo), ela tem pouca função e sua eliminação melhora muito o bem-estar do paciente.

Febres acima de 40ºC podem causar delírios, e em crianças desencadear convulsões (leia: EPILEPSIA
CRISE CONVULSIVA
Sintomas, tipos e como proceder). A febre em pessoas debilitadas como em casos de anemia, insuficiência cardíaca ou pessoas muito idosas, pode causar descompensação de suas doenças coexistentes.

Se temperaturas um pouco elevadas podem ajudar no combate aos invasores, quando acima dos 39,5ºC, este benefício parece desaparecer.

Quais são as causas de febre ?

A causa mais comum de febre são as infecções. Doenças como pneumonia, meningite, pielonefrite e endocardite (infecção das válvulas do coração) costumam vir acompanhadas de febre alta e debilidade física.

Gripe, ao contrário do resfriado (leia: DIFERENÇA ENTRE GRIPE E RESFRIADO), também pode ser causa de febre alta.

Quadros de febre prolongada, normalmente por volta dos 38ºC, às vezes intermitentes ou somente noturna, associado a perda de peso, em geral indicam infecções como tuberculose ou SIDA (AIDS).

Câncer, leucemia e linfoma também podem causar febre baixa ou febrículas prolongadas.

Doenças auto-imunes como lúpus, artrite reumatóide e outras também causam febre.

Vários medicamentos podem causar febre, incluindo antibióticos e antiinflamatórios, por mais paradoxal que isso possa parecer. Normalmente são reações individuais aos componentes da droga, em um processo semelhante a uma alergia. É um diagnóstico de exclusão.

Algumas causas menos comuns incluem: hipertireoidismo, excesso de exposição solar, feocromocitoma, embolia pulmonar, desidratação, AVC (com lesão do hipotálamo), hepatite por álcool...


O FRIO



De início, devemos lembrar que o ser humano é um animal homeotérmico, ou seja, existe uma estreita faixa de temperaturas --- que fica ao redor dos 36,1oC --- dentro da qual nosso corpo consegue funcionar adequadamente, regulando as funções de nossas células; fora desta faixa, problemas graves podem ocorrer e até mesmo ocasionar a morte.

Para evitar que nossa temperatura corporal saia fora dessa estreita faixa, nosso organismo criou mecanismos de defesa.

Quando o ambiente está frio, e começamos a perder calor para ele, são acionados, de início, os horripiladores, pequeninos músculos que ficam na raiz de cada pelo que temos espalhados pelo corpo. Esse acionamento causa de imediato o conhecido arrepio, uma onda de trepidação muscular pelo corpo todo. A tremedeira, que logo depois se estende a outros músculos, é nossa primeira proteção, pois tremer é um processo mecânico para gerar calor.

Além disso, os pelos eriçados colaboram na retenção de uma camada de ar junto à pele e, como o ar é um bom isolante térmico, eis nosso primeiro agasalho natural. Quanto mais pelo, mais ar é aprisionado e tanto melhor será esse agasalho natural. Nas aves, tal agasalho é constituído pelas penas.

Outra proteção natural do corpo é o embolar ; fechamos as mãos, cruzamos os braços, encolhemos as pernas e curvamos o corpo --- tudo isso para diminuir a superfície externa exposta --- quando menor a superfície exposta, menor será a área pela qual o calor pode escapar para o ambiente.

Está percebendo porque, no frio, o gato dorme todo enrolado, os bois se juntam ao máximo e você se encolhe todo sob os cobertores? O segredo é diminuir a superfície exposta! Quando isto não for suficiente, teremos que apelar para os agasalhos --- eles engrossam as camadas de ar ao redor de nossa pele proporcionando maior isolamento térmico.

Cobertores não "esquentam" ninguém! Eles apenas aprisionam uma boa camada de ar ao nosso redor e, como o ar aprisionado é um bom isolante térmico, impede a perda de calor do corpo para o ambiente.


O CALOR

E quando sentimos calor?

Aí inverte tudo: agora é a vez do nosso corpo receber calor do ambiente que está mais quente do que nós próprios.

Que fazer para remediar este acréscimo exagerado de calor que recebemos do ambiente?

Ora, devemos dar um jeito de jogar calor para fora do corpo. Lá vem nossa proteção: o sangue intensifica sua técnica de fluir e passa a irrigar partes mais próxima da pele --- é aquele vermelhão que começamos a ver e sentir na pele --- como a camada protetora do sangue diminui (pois está mais próximo da epiderme), o calor pode mais facilmente se transferir dele para a superfície da pele e escapar para o ambiente.

Se isso ainda não é suficiente, lá vem mais proteção: entram em ação as glândulas sudoríparas. São glândulas em forma de tubos que se abrem na superfície da pele formando os poros --- elas expelem o suor --- e esse, ao evaporar retira mais calor da própria pele, esfriando-a.

Então:

Sentir frio é perder calor exageradamente.
Sentir calor é receber calor exageradamente.

Sempre é o calor que vai do lugar mais quente para outro mais frio. Frio não é coisa que entra ou coisa que sai --- frio é uma sensação ocasionada por perda de calor! --- não 'ondas de frio', há massas de ar frio que passam por nós e que retiram calor de nossos corpos ... e temos a sensação de frio!


A febre

Mesmo sendo animais homeotérmicos, há situações em que nosso organismo precisa de uma temperatura maior que a normal para seu bom desempenho e isso ocorre, por exemplo, quando somos atacados por microorganismos --- vírus e bactérias --- e nossas defesas internas ( glóbulos brancos e seu exército) precisam lutar contra eles para nos defender. Acontece que essas defesas são realizadas à custa de reações químicas, cuja eficiência aumenta com o aumento da velocidade com que se processam estas reações.

Sabe qual é um dos fatores que aumenta esta velocidade?

Sim, é isso mesmo, a temperatura!

Para ajudar os glóbulos no combate a essa invasão de microorganismos nosso organismo decide, nesta situação de guerra, aumentar a temperatura corporal bem acima dos 36,1oC. Está instalada a febre --- não é ela uma doença em si, mas a conseqüência de uma luta que está sendo travada em nosso benefício --- não é um problema, pelo contrário, é até um benefício, pois nos mostra que estamos equipados com mecanismos adequados de defesa. Pior seria se não tivéssemos febre! Ai os microorganismos acabariam conosco num piscar de olhos.

O problema aparece quando nosso organismo, em desespero de causa, continua a aumentar a temperatura corporal; as vezes, para além dos 40oC: ai o bicho pega! A temperatura passa a ser um problema seríssimo, pois aniquila nossas enzimas e nossas células podendo, mesmo, ocasionar a morte. Antes de chegar a tal situação, devemos fazer algo para baixar a temperatura. É ai que entram os medicamentos para controlar a febre, e não para acabar com ela ... e conosco!

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