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terça-feira, 23 de novembro de 2010

DIARRÉIA

 
É daquelas doenças que todo mundo vai ter pelo menos 1 vez durante a vida. A maioria apresenta pelo menos um episódio por ano. Na verdade, diarréia não é uma doença, e sim, uma manifestação comum de várias doenças diferentes.

Tecnicamente chamamos de diarréia toda vez que evacuamos mais de 200g de fezes por dia. Ninguém precisa pesar as fezes para saber se está com diarréia ou não. Prefiro a definição que diz que diarréia é a evacuação de fezes pastosas ou liquidas efetuada mais de 3 vezes por dia.

Diarréia aquosa como principal manifestação

Normalmente são causados pela lesão da mucosa do intestino delgado pela própria bactéria ou por toxinas produzidas somente após a ingestão do germe. Neste caso os sintomas surgem somente após 24-48h da ingestão do alimento. Vários germes como Cyclospora cayetanensis, Escherichia coli e Clostridium podem ser a causa. Infecções virais também são causas de diarreia aquosa.

Pode haver febre baixa (menor que 38ºC)

Geralmente quando várias pessoas com contato social (trabalho, escola etc...) desenvolvem diarréia mas não apresentam nenhum alimento suspeito em comum, costuma tratar-se de infecções virais, que se transmitem do mesmo modo que os vírus da gripe e do resfriado (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO )

As bactérias e toxinas agem na mucosa do intestino delgado, aumentado suas secreções e acelerando a velocidade com que os alimentos passam. Desta maneira o delgado não consegue digerir e absorver os alimentos que chegam então, em grande quantidade ao cólon. O volume de líquidos e nutrientes que chega ao intestino grosso é muito grande, impedindo sua absorção.

Mais uma vez o quadro costuma ser auto-limitado com duração de 3 a 4 dias. Não é necessário nenhum tipo de tratamento específico.

A cólera é a infecção por uma bactéria chamada Vibrio cholerae que causa uma severa diarréia aquosa. Os pacientes podem ter mais de 20 evacuações por dia e chegam a perder até 1L de água por hora. Nos casos mais graves é necessário internação para hidratação por via venosa.

Diarréia sanguinolenta ou com pus e muco

A diarréia que apresenta sangue, pus, muco ou febre alta associada, deve ser avaliada por um médico. Esse quadro é chamado de diarréia inflamatória e pode levar a sepse ou outras complicações graves (leia: O QUE SIGNIFICA E POR QUE TEMOS FEBRE ? e O QUE É SEPSE / SEPSIS E CHOQUE SÉPTICO ? )
A diarréia inflamatória é causada por bactérias como Salmonella, Shigella, Campylobacter e Escherichia coli entero-hemorrágica e acometem a mucosa do intestino grosso. Pode ser necessário o tratamento com antibióticos, porém, em caso de infecção por Escherichia coli o mesmo pode piorar a diarréia e favorecer o aparecimento de um grave doença chamada de síndrome hemolítica urêmica. Por isso, deve-se sempre realizar cultura das fezes para identificar o agente causador e indicar a necessidade ou não de antibióticos. Nunca se auto medique com antibióticos em caso de diarréias.

O uso mal indicado de antibióticos além de causar complicações, pode perpetuar a diarréia por impedir que a flora bacteriana original do intestino volte a crescer. Sem a flora natural não há digestão de alimentos no cólon e a diarréia não cessa.

Outro perigo dos antibióticos é a infecção pelo Clostridium difficile, uma bactéria que se aproveita da ausência da flora bacteriana normal para causar um diarreia inflamatória grave.

Infecções pelo Campylobacter estão associadas a Síndrome de Guillain-Barré (Leia: O QUE É A SÍNDROME DE GUILLAIN-BARRÉ ? )

Diarréia crônica

Toda diarréia com mais de 2 semanas de evolução deve levantar suspeitas sobre alguma doença do trato intestinal que não tenha origem em um intoxicação alimentar. Diarréias com mais de 1 mês de evolução são considerada diarréias crônicas e devem sempre ser investigadas.

As principias causas de diarréia crônica são as doenças inflamatórias intestinais como a Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa (leia: ENTENDA A DOENÇA DE CROHN E A RETOCOLITE ULCERATIVA), SIDA (AIDS), infecção por amebas e outros parasitas (leia: VERMES E EXAME PARASITOLÓGICO DE FEZES), tumores e hipertireoidismo (leia: DOENÇAS E SINTOMAS DA TIREÓIDE )

Síndrome do intestino irritável

A síndrome do intestino irritável é uma causa comum de diarréia intermitente e dor abdominal. Não existe nenhuma doença orgânica que justifique o quadro. Normalmente se apresenta com diarréia e cólicas associado a períodos de estresse emocional. Alguns doentes alternam diarréia com constipação intestinal. Outros apresentam pequenas quantidade de muco nas fezes (nunca sangue). Excesso de gases intestinais também é frequente.

A síndrome do intestino irritável é uma doença benigna e pode apresentar melhora com algumas mudanças na dieta e no estilo de vida.

Síndrome de má absorção

Existem algumas doenças dos intestinos que impedem a absorção de determinados nutrientes, levando a diarréia.
Um exemplo comum é a intolerância a lactose (derivados de leite). Ocorre devido a uma deficiência na produção da lactase (enzima que digere a lactose) no intestino delgado.

Outro exemplo é a pancreatite crônica, onde a ausência do suco pancreático impede a digestão de vários nutrientes ingeridos.

A doença celíaca ocorre por incapacidade de absorver glúten, uma proteína presente no trigo e e em vários cereais.

A síndrome de má absorção também pode ocorrer por parasitoses, como na giardíase (leia: GIARDIA LAMBLIA
Sintomas e Tratamento)

Quando então procurar um médico devido a diarréia ?


•Febre alta, normalmente maior que 38,5ºC

•Diarréia severa que não melhora após 48-72h

•Desidratação

•Diarréia com sangue

•Diarréia por mais de 2 semanas

•Idosos e imunossuprimidos

Se não houver os sinais de gravidade acima, a diarréia deve ser tratada com ingestão generosa de líquidos. Quanto mais intensa for a diarréia, maior deverá ser a reposição de água. Já existem soluções prontas para hidratação à venda nas farmácias. Uma opção é o soro caseiro que pode ser feito a partir de 1 colher de chá de sal e uma colher de sobremesa de açúcar, diluídos em 1 litro de água fervida ou filtrada.

Deve-se evitar a todo custo o uso de medicamentos para interromper a diarréia. Se há uma bactéria ou toxina no trato intestinal, ela deve ser expulsa do corpo. A suspensão da evacuação em doentes infectados pode levar a sepse grave.

Remédios como o famoso Imosec® (Loperamida) só devem ser usados sob prescrição médica.

Deve-se também evitar alimentos gordurosos ou a base de leite, pois durante uma infecção intestinal a mucosa do intestino delgado está muito inflamada e não consegue absorver nutrientes complexos.

Para diminuir a contaminação, deve-se sempre lavar as mãos antes de preparar alimentos ou iniciar refeições.

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