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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

TÉTANO ACIDENTAL


Etimologicamente, a palavra tétano é originária do verbo grego teínein, que significa esticar, distender. Já em latim, o lexema tetanus quer dizer rigidez de um membro contração espasmódica de um músculo do corpo. Essas descrições revelam, ou ao menos antecipam, os sintomas de contração muscular (sobretudo no pescoço e tronco) causada pela bactéria Clostridium tetani, responsável pela doença. Na pintura abaixo, realizada por Sir Charles Bell em 1809, temos um exemplo conhecido exemplo ilustrativo desses sintomas.


Pintura de Charles Bell retrata paciente em posição opistótoma estimulada por tétano
Fonte: Pinheiro, 2008


O capitão de um grande navio esmagou o dedo indicador de sua mão direita com a âncora. Sete dias depois apareceu uma secreção fétida, depois problemas com a língua, queixava-se de que não podia falar adequadamente. Foi diagnosticado tétano. Suas mandíbulas ficaram presas, os dentes travados e depois os sintomas se estenderam para o pescoço. No terceiro dia apareceram opistótonos acompanhados de sudorese. Seis dias após o diagnóstico ele morreu.
Hipócrates (460-375 A.C.)

Por séculos a fio o tétano permaneceu de difícil diagnóstico, pois não era possível detectar a causa, encoberta em mistério até o século XIX. Quem primeiro registrou um caso de tétano foi Hipócrates, cujas descrições clínicas da doença são conhecidas (ver, por exemplo, a epígrafe na página principal deste site). Tido por muitos como o pai da medicina, Hipócrates atuou no século V a.C. na Grécia, já reconhecendo a gravidade do tétano, com suas hipercontrações violentas, alegando que “todo espasmo que se segue a um ferimento é mortal”.


A etiologia (ou causa) da doença só foi descoberta pelos italianos Giorgio Rattone e Antonio Carle, em 1884, através de experimentos em coelhos. Um ano depois, Nicoleir reproduziu e confirmou as pesquisas de Carle e Rattone, indo além ao observar a presença do bacilo também na terra. Mais tarde, em 1889, Tizzoni e Catani isolaram o C. tetani em cultivo puro. No mesmo ano, o descobrimento da toxina tetânica por Knud Faber foi considerado crucial para o desenvolvimento da vacina. Em 1892, Behring e Kitasato encontraram um método de imunização eficaz com base na toxina envelhecida. A primeira imunização passiva do tétano ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). O método de Behring e Kitasato foi, em 1925, aperfeiçoado por Ramom e Descombey, através da ação do formol que pôde gerar a anatoxina.

Por muitas anos o antídoto foi feito com injeção da toxina em cavalos, obtendo daí um soro rico em anticorpos propício a ser aplicado em pacientes com tétano. Esse processo, no entanto, causava reações imunitárias contra os anticorpos do cavalo, num problema conhecido por doença do soro. Em decorrência, uma pessoa só podia receber o antídoto só uma vez durante toda a vida, dado que a segunda aplicação do soro com anticorpo do cavalo pode causar reação fatal do sistema imunológico, caso seja aplicada a segunda dose da injeção. Com o advento da vacina o tétano se tornou menos comum. Contudo, a doença permanece freqüente em países subdesenvolvidos, como os africanos. No mundo todo, ocorrem cerca de um milhão de casos anualmente (PINHEIRO, 2008).


Concebido para produzir a antitoxina da difteria, o soro sanguíneo do cavalo Jim (acima), revelou-se contaminado pelo C. tetani, ocasionando em diversas mortes entre 1901 e 1902.
Fonte: Wikipédia (verbete em espanhol)


Tétano no Brasil: Gomes de Mattos e o enfoque pré-natal

Em países desenvolvidos, há muitas décadas o tétano é uma doença toxi-infeciosa que encontra-se em fase de declínio. Com trinta anos de idade, o trabalho de Iizuka et al (1979) apontou, no entanto, para a diferença desse quadro no Brasil e em outros países tropicais em desenvolvimento, nos quais o tétano era um problema de saúde pública, à época com taxa média de mortalidade de 12 para 100 mil habitantes (contra 5 para 100 mil em países desenvolvidos).

Segundo Iizuka et al (idem), os indivíduos com mais anticorpos circulantes são os que provavelmente foram vacinados nos primeiros anos de vida, muito embora com o passar dos anos o paciente nem sempre consiga precisar seu histórico de vacinação anterior. Sendo assim, infere-se que a vacina nos primeiros dias de vida é imprescindível para a prevenção do tétano no Brasil, acarretando num controle eficaz sobre a doença caso o tratamento ocorra já nos primeiros meses das crianças.

A conjuntura, cabe ressaltar, nem sempre foi essa. Como as populações mais afetadas pelo tétano eram, via de regra, as de baixa renda, o interesse em pesquisar métodos preventivos sobre a doença era pífio. Foi o pediatra Augusto Gomes de Mattos (1899-1978), através de pesquisas experimentais conclusivas realizadas em cobais, quem rompeu com esse histórico de negligência, ao estudar a infecção por ferida umbilical – conhecida popularmente como ­mal de sete dias. Como solução, Mattos apontou a imunização ativa das gestantes com Anatoxina Tetânica, o que lhe valeu o Prêmio Nestlé de 1953. Para o pediatra, a criança já deveria nascer protegida contra o tétano, independente do tratamento do cordão umbilical (MURAHOVSCHI, 2008).



Augusto Gomes de Mattos revolucionou na imunização do tétano em gestantes através de pesquisas experimentais com cobaias
Fonte: Murahovschi, 2008

A inspiração para Mattos, de acordo com MURAHOVSCHI (op. cit.), veio de uma sugestão da OMS (Organização Mundial de Saúde), a qual dizia, na série Rapports Techniques (1950): “nas regiões com freqüência elevada de tétano em recém-nascidos, convém estudar a possibilidade da prevenção pela vacinação das mulheres grávidas”. O resultado foi uma das pesquisas mais bem elaboradas da história da Pediatria. Mattos só não foi internacionalmente reconhecido pelo método porque publicou sua investigação em português.

Como não havia apoio ou patrocínio, as condições de operação da pesquisa eram muito difíceis. As gestantes eram atendidas por Mattos em sua Clínica Infantil do Ipiranga, que sequer tinha maternidade na época (levando as gestantes ao encaminhamento para o Hospital São Paulo). Nas palavras do pediatra, “Só existe um recurso de resultados imediatos: a vacinação da gestante com a anatoxina tetânica, com a vantagem de proteger a mulher contra o tétano acidental e o obstétrico” (apud MURAHOVSCHI, 2008). O trabalho de Gomes de Mattos terá influência na medicina preventiva voltada à puericultura, algo que sem dúvidas tem inúmeras vantagens para coibir a doença, mas, em contrapartida, tira o foco de pacientes em idade avançada, tal como verificamos na seção Tétano em Idosos.

Causa


O tétano é uma doença infecciosa grave, não contagiosa, causada pela neurotoxina produzida por uma bactéria gram-positiva e anaeróbica – a Clostridium tetani – encontrada geralmente no solo na forma de esporos. Por meio de lesões da pele, a bactéria penetra no organismo e causa rigidez generalizada (especialmente nos músculos do rosto, coluna vertebral, pescoço, abdômen e extremidades), ocasionada pela toxina tetanospamina, bem como espasmos musculares intensos e intermitentes.

Como doença imunoprevenível, a prevenção é possível através de medicação adequada, mas o tétano é fatal em regiões de baixa assistência médica e limitada cobertura vacinal. O nível de mortalidade é maior nos recém nascidos e pessoas idosas, permanecendo como problema grave de saúde pública na maioria dos países me desenvolvimento.

O bacilo de Clostridium tetani é particularmente encontrado no solo utilizado para agricultura – daí a vulnerabilidade da população que habita a zona rural. Solos tratados com adubo animal são especialmente propensos à manifestação do C. tetani. Fezes e intestinos de animais (sobretudo herbívoros) como cavalos e galinhas também contém o bacilo. Quando se encontra em condições propícias, o bacilo vive algum tempo como saprófito, multiplicando-se no próprio solo. A C. tetani é encontrada em praticamente qualquer ambiente, mas se desenvolve apenas naqueles ricos em oxigênio (CANAL, 2006).

Para PINHEIRO (2008), o bacilo te um “truque” evolutivo. Em ambientes hostis, assume a forma defensiva de esporos, hibernando. Só quando o paciente tem lesão na pele é que esses esporos invadem os tecidos internos e alcançam locais com baixa presença de oxigênio, retornando à forma ativa. Então, estão livres para produzir a tetanospanina, responsável pelos sintomas do tétano.


Formas Clínicas

Com a entrada da Clostridium tetani no ferimento, a bactéria produz duas toxinas – a tetanolisina e a tetanospamina – que se espalham pelo resto do corpo. Enquanto a primeira não desempenha papel importante no desenvolvimento da doença, a segunda causa as manifestações clínicas, com os sintomas característicos. O período de incubação a doença varia entre 3 e 21 dias, mas pode chegar a um mês. Existem quatro formas clínicas principais do tétano (DISCOVERY, [s.d.]), definidas segundo gravidade, origem e extensão do processo. São elas:


•Tétano local: é definido pelo enrijecimento dos músculos próximos à ferida contaminada. Os sintomas duram semanas ou até meses, mas desaparecem depois sem deixar seqüelas;

•Tétano cefálico: sua porta de entrada é a face ou a boca. Possui período de incubação muito curto, de um a dois dias. Resulta em dificuldade para engolir e paralisia dos músculos faciais e dos olhos;

•Tétano generalizado: é o mais comum e também o mais grave dos tipos de tétano. Resulta em espasmos e rigidez muscular, que ocorrem espontaneamente ou por estímulos variados, como luz, frio, barulho, tato, etc. Pode leva à asfixia pela imobilidade dos músculos respiratórios. A cura depende da gravidade da doença e da resposta ao tratamento;

•Tétano neonatal: tipo de curta incubação, cuja porta de entrada é o umbigo. Os detalhes sobre essa forma clínica estão descritos na seção


Sintomas
Logo no início do desenvolvimento da doença, o paciente com tétano sente dificuldade em abrir a boca e engolir. Em seguida, aparecem irritabilidade, cefaléia, febre e deformidades no aspecto do rosto. A contaminação da ferida por esporos leva à multiplicação de bacilos no local. A C. tetani não invade outros órgãos, ficando próxima à ferida. É neste local que as bactérias vão disseminar as toxinas responsáveis pela doença.

Sabe-se que o período de incubação é variável entre 3 e 21 dias, mas o mais comum é durar 8 dias. Para recém-nascidos, esse período vai de 4 até 14 dias, sendo 7 o mais freqüente. Geralmente, quanto mais a ferida que serviu como porta de entrada para o bacilo do tétano estiver distante do sistema nervoso, maior é o período de incubação. Este período é inversamente proporcional ao risco de morte, ou seja, quanto menor o tempo de incubação maiores as chances de óbito.

Os espasmos musculares ocasionados pelo tétano são provocados por pequenos impulsos, como barulhos e luzes, mas duram por períodos longos. O primeiro indício de tétano é o trismus (em inglês, conhecido também por lockjaw), caracterizado pela contração dos músculos da mandíbula, impossibilitando o paciente de abrir a boca. Em seguida, o pescoço se enrijece, depois as costas, há dificuldade de engolir e rigidez no abdômen. Outros sinais característicos do tétano são o riso sardônico (risus sardonicus) e a posição de opistótomo, que consiste no arqueamento do corpo com a cabeça curvada para trás, como ilustrado na tela de Sir Charles Bell

Transmissão

Uma vez que a bactéria Clostridium tetani é encontrada em fezes de animais depositadas na terra ou na areia, a infecção pode acontecer pela entrada dos esporos por meio de qualquer ferimento da pele em contato com o solo. Outras portas de entrada possíveis para a C. tetani são queimaduras e tecidos necrosados. Além disso, há o conhecido risco por ferimentos em objetos contaminados. Neste caso, a higiene se faz necessária para que a bactéria não se desenvolva e atinja o sistema nervoso, o que pode ser letal. No caso de contaminação através de ferimentos, a doença é especificada como tétano acidental; já a transmissão da doença por via do cordão umbilical gera o tétano neonatal. Por essa classificação, a transmissão se dá conforme listamos abaixo:

•Tétano acidental: decorrente de acidentes, esse tipo de transmissão se dá por contaminação de ferimentos às vezes muito pequenos, por esporos da C. tetani encontrados tanto em poeira e esterco no solo quanto em superfície de objetos, principalmente metálicos. Ao contaminar ferimentos em condições que lhe são propícias para desenvolvimento, como sujeira e tecidos mortos, o bacilo pode se multiplicar e produzir a tetanospasmina, que será então disseminada no sistema nervoso;

•Tétano neonatal: se nunca foram vacinadas, as gestantes não apenas ficam desprotegidas como também não passam anticorpos para o feto, culminando no risco de tétano neonatal para crianças recém-natas (até 28 dias de idade). Também conhecido como “mal dos sete dias”, este tipo de tétano ocorre com a contaminação por esporos do C. tetani no cordão umbilical, o que pode ocorrer durante a secção do mesmo se forem utilizados instrumentos não esterilizados, ou ainda pela mobilização de substâncias contaminadas (teia de aranha, pó de café, etc) para elaborar o curativo do coto umbilical. Em nosso site, temos uma seção dedicada exclusivamente ao tétano neonatal (clique aqui para acessá-la).



Fonte: Murahovschi, 2008


Na maioria dos países subdesenvolvidos, inclusive na América Latina, o tétano neonatal ainda é considerado problema grave de saúde pública, respondendo por alto índice de mortalidade infantil. Segundo observamos na seção Desigualdades, o tétano é doença característica de indivíduos pertencentes às classes socioeconômicas menos favorecidas.


No caso específico do tétano neonatal, a prevalência nos países emergentes tem a ver com a falta de acesso aos serviços obstétricos, aos cuidados pré-natais e partos realizados em domicílio, sem local e instrumentos adequados. Além da cobertura vacinal nem sempre envolver todas as gestantes, o parto muitas vezes é marcado pelo descaso da higiene e dos materiais empregados, pois as parteiras enfatizam os cuidados com o recém-nascido esquecendo-se de si mesmas.

A porta de entrada do tétano neonatal é, via de regra, o umbigo. O período de incubação da doença é curto. Primeiro, observa-se que o bebê tem dificuldades ou é incapaz de sugar. Em seguida, ocorrem a rigidez e espasmos generalizados dos músculos, podendo causar parada respiratória. Só a partir da quarta semana os espasmos diminuem. Enquanto os braços do bebê se flexionam junto ao tórax, de punhos cerrados, os membros inferiores continuam estendidos. Os lábios se contraem e os olhos permanecem fechados (figura abaixo). Para MURAHOVSCHI (2008), o diagnóstico do tétano neonatal é puramente clínico, com manifestações súbitas dos sintomas, expostos a partir do terceiro dia (mais freqüentemente do sexto ao oitavo) deu origem ao popular nome da enfermidade: mal dos sete dias.

Por não ser contagioso, o tétano é uma doença infecciosa que não é transmitida de um indivíduo para outro. Se a pessoa for imune e tiver níveis suficientes de anticorpos protetores, a enfermidade não produz sintomas. Tais anticorpos são obtidos somente por meio da vacina antitetânica, dado que a neurotoxina da doença só atua em quantidade extremamente reduzida, portanto causa apenas a moléstia, mas não possibilita a produção da imunidade.

Quando há condições anaeróbicas, caso dos ferimentos, os esporos germinam para a forma vegetativa da bactéria, produzindo então as toxinas conhecidas por tetanolisina – de ação ainda desconhecida – e a tetanospasmina, que é a neurotoxina disseminada através do sistema circulatório (sanguíneo e linfático), acarretando os sintomas. A tetanospasmina é muito potente e a dose, letal para seres humanos, é muito diminuta.

O mito da transmissão por ferrugem

Fonte: Google Imagens

Aliás, o prego não é um causador tão privilegiado do tétano quanto se imagina. Qualquer objeto que perfure a pele é potencial inoculador da Clostridium tetani – e o memso pode ocorrer com mordidas de animais, queimaduras, uso de dorgas endovenosas e até lesão pro arma de fogo (PINHEIRO, 2008). Certos fatores, como co-infecção por outras bactérias e isquemia no sítio da lesão, podem favorecer o desenvolvimento da enfermidade.

Em análise sobre a ocorrência de tétano na população geriátrica, PAGLIUCA, FEITOZA e FEIJAO (2001) detectaram que os ferimentos podem ocorrer em ambientes domésticos, em “local possivelmente livre de riscos e de sujidades, bem diferente daquele associado pelo imaginário coletivo como passível de conter o causador da doença.”. O imaginário do ambiente anti-higiênico como transmissor exclusivo do tétano, portanto, pode tornar as pessoas menos cuidadosas com os ferimentos originados no lar, a partir da suposição que os procedimentos assépticos são menos requeridos em situações desse tipo.

Conceito que virou verdade absoluta para o senso comum, o mito da transmissão de tétano pela ferrugem de pregos é desmentido por PINHEIRO (2008). Segundo consta no texto do autor, o fato do prego estar enferrujado não muda o risco que o objeto tem de passar a C. tetani para o paciente de tétano acidental. Na verdade, a perfuração por prego é mais ameaçadora porque inocula as bactérias mais profundamente, onde a quantidade de oxigênio presente é menor, favorecendo a bactéria. Portanto a presença de ferrugem não altera as possibilidades de contaminação por perfuração de pregos.


Prevenção
 
 
Por não ser possível suprimir os esporos da Clostridium tetani no ambiente, é necessário que a população esteja corretamente vacinada. A vacina é o principal meio de prevenir o tétano, sendo administrada em crianças de até cinco anos e depois prossegue com a dupla viral. No caso da dupla viral, a vacina deve ser reforçada a cada dez anos, como manda a rotina.

Lembramos, por sinal, que a vacina não é o único meio de prevenção ao tétano, até porque boa parte das pessoas nem sabe se recebeu ou não a vacina antitetânica, isto é, não sabe informar se o esquema vacinal está completo. Boa parte dos indivíduos adultos nunca foi vacinada. Quando há ferimentos de maior risco, se o indivíduo não estiver imunizado adequadamente, precisa-se aplicar soro ou uma imunoglobulina específica. Ainda, segundo PAGLIUCA, FEITOZA e FEIJAO (2001), a C. tetani é uma bactéria anaeróbica, portanto não sobrevive na presença de oxigênio; logo, a higienização do local deve ser feita com uso de água oxigenada. Em caso de rafia a ser realizada no ferimento, só poderá ser realizada após a limpeza completa do local.

Entre os cuidados com os ferimentos, destacamos que devem ser lavado com água e sabão, retirando ocasionais corpos estranhos, como poeira e estilhaços de madeira – isso vale, inclusive, pra quem está com a vacina em dia. Para efetivar esses cuidados, a população deve ser ensinada sobre a higienização de ferimentos sujos, mordidas de animais, fraturas expostas e até queimaduras, pois todos esses meios são potenciais portas de entrada para a C. tetani. Acreditamos, uma vez que a integralidade é princípio doutrinário do SUS e a “saúde é dever do Estado e direito de todos” (como reza nossa Carta Magna), que o uso de programas como o Saúde da Família podem se prestar à essa função de educar a população, sobretudo a rural, mais propensa ao tétano (tal como observamos na seção Desigualdades do Tétano).

Além da prevenção dirigida ao paciente, é interessante também melhorar o preparo dos profissionais de saúde, justamente para ampliar as possibilidades de prevenção endereçadas aos potenciais pacientes. Para VIEIRA, OLIVEIRA e LEFEVRE (2006), os usuários dos serviços de saúde devem ser abordados de forma gentil, com atenção e através de linguagem clara, compreensível em todos os momentos do atendimento. De acordo com os mesmos autores, em pesquisa sobre o tétano neonatal, é adequado conhecer as representações (subjetivas e objetivas) das gestantes sobre esse tipo de tétano para percorrer as representações que podem fornecer subsídios para auxiliar na prevenção da doença.

Contra tétano, vacine-se!


Embora os sintomas do tétano sejam apavorantes e a bactéria responsável pela moléstia encontre-se em praticamente qualquer ambiente na forma de esporos, a vacina para o tétano existe e, no Brasil, faz parte do calendário básico de vacinação. Aplicadas três doses da vacina tríplice (a qual previne, além do tétano, coqueluche e difteria), a imunização é realizada – mas a vacina dupla (para tétano e difteria) deve ser aplicada novamente de dez em dez anos, dado que os níveis de anticorpos vão se minimizando conforme o passar do tempo. A vacina pode ser aplicada em gestantes e não contém a bactéria viva. Em caso de lesão, indivíduos que tomaram a vacina há mais de cinco anos precisam de nova aplicação, para reforço.

A vacina antitetânica, conforme relata a tese de VIEIRA (2005, p.21), foi produzida pela primeira vez em 1923, aperfeiçoada várias vezes no tocante ao método empregado para depurar a toxina e o aumento da capacidade antigênica pelo acréscimo de novos adjuvantes, como sais de alumínio. Foram obtidos resultados muito bons com a combinação do toxóide tetânico com outros antígenos, sobretudo o diftérico e o pertussis.

Em informações coletadas no Wikipédia, notamos que a vacina com o toxóide tetânico foi amplamente utilizada durante a Segunda Guerra Mundial e está disponível nos Centos Municipais de Saúde para pessoas de todas as idades. Pelo esquema básico de vacinação, nota-se que o lactante com dois meses deve receber a vacina, depois tomar outra vez a vacina aos quatro meses, ambas a doses junto com a imunização para coqueluche, difteria e infecções pelo Haemophilus influenzae. Nova dose da vacina tetravalente (DTP + Hib) é aplicada aos seis meses. O reforço ocorre ainda entre os quatro e seis meses de idade. Vale ressaltar que, à despeito dos benefícios da vacina anti-tetânica, algumas fontes são contrárias à aplicação em mulheres em idade fértil, sob a curiosa (e, desconfiamos, infundada) acusação de esterilizá-las, conforme ilustra a imagem abaixo:

Ainda conforme o esquema, nos maiores de sete anos é recomendado o intervalo de um a dois meses entre primeira e segunda dose da vacina, e intervalo de seis meses a um ano para aplicação da terceira dose. Já o intervalo mínimo, para assegurar títulos elevados de anticorpos, é de um mês. No caso de ter iniciado o esquema, mas interrompido em alguma época, o importante é completar o ciclo até a terceira dose, independente do tempo que transcorreu desde a última aplicação.

Em ocorrências de indivíduos sem o esquema completo, o tipo de ferimento pode carecer de imunização passiva, além da vacina, o que é feito com a imunoglobulina antitetânica, de origem humana. Já o soro antitetânico, produzido nos cavalos, só deve ser empregado na indisponibilidade dessa imunoglobulina, dadas as probabilidades de reações alérgicas nos pacientes às proteínas de origem animal.

Tratamento

Para realização do tratamento de tétano, se faz mister a internação do paciente, a qual dura de três a quinze semanas. Uma vez no hospital, o enfermo deve receber imunoglobulina, ou, quando esta não for disponível, o soro antitetânico, assim como antibiótico venoso e limpeza cirúrgica do ferimento. Prefere-se à vacina ao soro porque o segundo pode causar reações alérgicas. São objetivos do tratamento:

•Neutralização da toxina, por meio de uma antitoxina específica;

•Limpeza cirúrgica da ferida;

•Repouso em local sereno, a fim de atenuar espasmos musculares;

•Administração de antibióticos.


Quando tratado, o paciente deve ser internado preferencialmente em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo vigiado constantemente. A ferida precisa ser limpa cirurgicamente, através de fármacos como água oxigenada, no fito de eliminar a condição de anaerobiose. Entre os fármacos miorrelaxantes administrados, se recomenda o curare, por aplicação venosa. O uso de penicilina e metronidazol podem eliminar a Clostridium tetani, contudo não demonstram efeito contra o agente tóxico produzido pela mesma. Pode ser necessário mobilizar próteses respiratórias, dependendo da gravidade das manifestações no paciente.

Sobre a antitoxina, é recomendado uso da gamaglobulina humana antitetânica, para ser administrada por via intramuscular. Embora não modifique as manifestações clínicas que já se fazem presentes, essa substância neutraliza a toxina circulante. Para reduzir a produção de toxinas da C. tetani, utiliza-se também antibióticos como a penicilina G, administrado, geralmente, ao longo de dez dias.

Como o período de internação é prolongado, os custos do tratamento de um paciente com tétano são consideravelmente altos, podendo equivaler ao custo de dezenas de milhares de doses da vacina. Sabe-se que a letalidade do tétano depende muito de fatores como acesso aos serviços de saúde e disponibilidade de recursos terapêuticos, portanto sai muito menos oneroso aos sistemas de saúde (como o SUS, no caso do Brasil) investir na prevenção da doença.

Para tanto, deve-se não apenas considerar as desigualdades entre regiões ricas e pobres, mas também os ambientes e segmentos da sociedade mais propícios à prevalência de tétano: zonas rurais e pessoas idosas, portanto, carecem de vigilância mais cuidadosa – o que, a nosso ver, requer investimentos estatais que destaquem essas populações mais expostas, garantindo, assim, o princípio da equidade do SUS, cujo escopo é justamente garantir o atendimento de populações que vinham sendo sistematicamente renegadas no atendimento sanitário.


CUIDADOS DE ENFERMAGEM



1. O paciente deverá sempre ser transferido para o Isolamento, em quarto fechado, escuro e silencioso, a fim de se prevenir as contraturas desencadeadas por estímulos luminosos ou sonoros (lembrar sempre de confortar o paciente, que geralmente está muito ansioso); a remoção para a UTI está indicada nos casos de impossibilidade de controle das contraturas ou comprometimento da ventilação;

2. O paciente deve estar em constante vigilância pela enfermagem;

3. Oxigenioterapia por máscara facial e controle diário da gasometria arterial estão indicados nos pacientes com distúrbio ventilatório;

4. Inicialmente o paciente deve estar em dieta oral zero e, posteriomente, poderá receber dieta líquida oral, sob supervisão da enfermagem, ou através de sonda nasogástrica, caso o paciente esteja entubado;

5. Hidratação venosa e suporte calórico adequado estão indicados, preferencialmente através de dissecção venosa, a fim de se corrigir distúrbios hidro-eletrolíticos e ácido- básicos;

6. Utilizar medicação anti-ácida para prevenção das úlceras gástricas de estresse;

7. Aspirar as secreções das vias aéreas superiores (ou do tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia) sempre que necessário, já que as complicações pulmonares infecciosas são muito freqüentes, consistindo em importante causa de mortalidade nesses pacientes;

8. Deve-se considerar a traqueostomia precoce nos pacientes com contraturas incontroláveis ou acúmulo de secreção no tubo endotraqueal, já que permite higiene mais eficaz;

9. O uso prolongado de sondas vesicais de demora predispõe à infecção de trato urinário, motivo pelo qual deve-se evitar ao máximo este procedimento;
Fonte:
Retirado do site http://sites.google.com/site/infotetano/Home   criado por Jonathan Raphael Bertassi da Silva, vale a pena conferir, site muito interessante. http://www.fmt.am.gov.br/manual/tetano.htm

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