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sábado, 11 de dezembro de 2010

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

O Processo de Enfermagem indica um trabalho profissional  específico e pressupõe uma série de ações dinâmicas e interrelacionadas para sua realização, ou seja, indica a adoção de um determinado método ou modo de fazer (Sistematização da Assistência de Enfermagem), fundamentado em um sistema de valores e crenças morais e no conhecimento técnico-científico da área. Na literatura, costuma ser descrito como o ponto focal, o cerne ou a essência da prática da Enfermagem.

Pode-se definir o Processo de Enfermagem como:

1) um instrumento tecnológico de que lançamos mão para favorecer o cuidado, para organizar as condições necessárias à realização do cuidado e para documentar a prática profissional; ou

 2) um modelo metodológico que nos possibilita identificar, compreender, descrever, explicar /ou predizer as necessidades humanas de  indivíduos, famílias e coletividades, em face de eventos do ciclo vital ou de problemas de saúde, reais ou potenciais, e determinar que aspectos dessas necessidades exigem uma intervenção profissional de enfermagem.

O que os agentes da Enfermagem fazem?

(ações e intervenções de enfermagem), tendo como base o julgamento sobre necessidades humanas específicas (diagnóstico de enfermagem), para alcançar resultados pelos quais se é legalmente responsável (resultados de enfermagem)4.


O significado atribuído ao Processo de Enfermagem e o modo como ele é aplicado à prática profissional são dinâmicos, modificando-se ao longo do tempo e de acordo com os diferentes cenários da prática assistencial.

A expressão Processo de Enfermagem ainda não era utilizada na segunda metade do século XIX, muito embora, à época, Florence já enfatizasse a necessidade de ensinar as enfermeiras a observar e a fazer julgamentos sobre as observações feitas7. Sua introdução formal na linguagem profissional ocorreu nos anos 50 do século XX, sob influência do método de solução de problemas, cujas raízes eram o método  científico de observação, mensuração e análise de dados. Observa-se, nesse momento histórico, a ênfase no ensino do método de solução de problemas nas escolas de enfermagem, durante o que se destacava a importância da coleta sistemática e análise de dados, realizadas com rigor metodológico 6.

Em 1967, o Processo de Enfermagem foi descrito por Helen Yura e Mary B. Walsh com quatro fases: coleta de dados, planejamento, intervenção e avaliação. Ao descrevê-lo, as duas  autoras enfatizaram as habilidades intelectuais, interpessoais e técnicas que consideravam ser necessárias e essenciais à prática profissional e, portanto, aspectos significativos para a  execução do Processo de Enfermagem8.

Em 1973, foi realizada a primeira conferência para classificação de diagnósticos de enfermagem em que, usando tanto o processo de raciocínio dedutivo quanto o indutivo, as participantes elaboraram e aprovaram a primeira listagem de problemas/situações que eram reconhecidos na prática como pertencentes ao domínio independente da profissão1,3.

O termo diagnóstico estava presente na literatura da área desde 1950, quando Louise McManus, em conferência pronunciada no Teachers College, em Nova Iorque, se referiu à função específica da enfermeira como sendo a identificação ou diagnóstico do problema e o reconhecimento de seus aspectos inter-relacionados, assim como a decisão sobre as ações a serem implementadas para sua solução. Entretanto, até 1973, a etapa diagnóstica não estava incluída no Processo de Enfermagem. Em vista desse fato, pode-se afirmar que o movimento de identificação e classificação de diagnósticos de enfermagem marcou o início de uma nova geração do Processo de Enfermagem e, acima de tudo, o início de uma nova era para a Enfermagem, que avança progressivamente, desde então, para sua estruturação definitiva como uma Ciência1,3.

O foco da terceira geração do Processo de Enfermagem, iniciada por volta dos anos 1990, se volta agora para a especificação e testagem na prática de resultados do paciente que sejam sensíveis à intervenção profissional. Uma vez que um diagnóstico de enfermagem é feito, especifica-se um resultado a ser alcançado e cria-se com isso uma dupla obrigação, a de intervir e, em seguida, avaliar a eficácia da intervenção realizada.

Segundo a literatura, nas décadas de 1920 e 1930 começaram a ser publicados estudos de caso envolvendo a análise e a avaliação sistemáticas de um cliente ou grupo de clientes similares, para promover a compreensão acerca da situação e das intervenções de enfermagem que se faziam necessárias9. Com o emprego dos estudos de caso, observaram-se o início do uso de instrumentos de coleta de informações sobre os pacientes, a análise e formulação de julgamentos clínicos sobre as informações coletadas e a diferenciação entre o que seria intervenção médica e de enfermagem, listadas separadamente7. Dessa forma, há uma indiscutível relação entre os estudos de caso e o aparecimento dos primeiros planos de cuidado de enfermagem.

Fonte:

1. Garcia TR, Nóbrega MML. Processo de enfermagem e os sistemas de classificação dos elementos da prática profissional: instrumentos metodológicos e tecnológicos do cuidar. In: Santos I, Figueiredo NMA, Padilha MICS, organizadores. Enfermagem assistencial no ambiente hospitalar: realidade, questões, soluções. 1aed. São Paulo (SP): Atheneu; 2004. v. 2, p. 37-63.

2. Garcia JCR. Novas relações na transferência do conhecimento:patente, tecnologia, inovação. [tese de doutorado]. Rio de Janeiro (RJ): Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação/IBICT; 2004.

3. Garcia TR, Nóbrega MML, Carvalho EC. Processo de enfermagem: aplicação à prática profissional. Online Brazilian Journal of Nursing [on- line] 2004 ago; 3(2): [aprox.8 telas] Disponível em: www.uff.br/nepae/objn302garciaetal.htm

4. International Council of Nurses (ICN). International Classification for Nursing Practice – ICNP® Version 1. Geneva; 2005.

5. Espirito Santo FH, Porto IS. De Florence Nightingale às perspectivas atuais sobre o cuidado de enfermagem: a evolução de um saber/ fazer. Esc Anna Nery 2006 dez; 10(3): p.539-46.

6. Pesut DJ, Herman JA. Clinical reasoning: the art and science of critical and creative thinking. Albany (NY): Delmar; 1999.

7. McGuire AD. The genesis and nature of nursing diagnosis. In: Carlson JH, Craft CA, McGuire AD, Popkess-Vawter S. Nursing diagnosis: a case study approach. Philadelphia (USA)): W. B. Saunders; 1991. p.3-19.

8. Yura H, Walsh MB. The nursing process: assessment, planning, implementation and evaluation. New York (USA): Appleton-Century-Crofts; 1967.

9. Burns N, Grove SK. The practice of nursing research: conduct, critique and utilization. 2nded. Philadelphia (USA): W.B. Saunders;1993.


O Processo de Enfermagem é um método para a organização e prestação de assistência de Enfermagem. Seus componentes (abordagem, Diagnóstico de Enfermagem, planejamento, implementação e avaliação) fornecem a estrutura organizacional para a realização do propósito do processo. “É uma abordagem intencional de solucionar problemas para atender às necessidades de assistência à saúde dos pacientes e de Enfermagem. Todos O processo é cíclico e todas as etapas são interligadas, interdependentes e recorrentes” (NETTINA, 1999).

Os propósitos do processo de cinco etapas são:

Identificar as necessidades de assistência de saúde do paciente, estabelecer um plano de tratamento e completar intervenções de Enfermagem para satisfazer aquelas necessidades. O processo de Enfermagem é uma abordagem de solução de problemas para satisfazer as necessidades de enfermagem e de cuidados de saúde de uma pessoa.

O processo de Enfermagem é subdividido básicamente em cinco fases:

1 – Histórico de Enfermagem;
2- Diagnóstico de enfermagem (diagnóstico propriamente dito e problemas colaborativos);
3 – planejamento;
4 – Implementação (prescrição) e
5 – Avaliação.

O termo “Processo de Enfermagem” foi introduzido pela primeira vez em 1955. Desde então a
idéia vem sendo amadurecida. Em 69, Dolores Little e Doris Canevali usaram um processo de quatro etapas que combinava avaliação do estado de saúde e determinação do problema.  70, Ruth  Freeman e Janet Heirich introduziram um Processo de Enfermagem em seis etapas para Enfermagem comunitária. Os Enfermeiros práticos e os educadores em Enfermagem começaram a usar regularmente o processo com cinco etapas. Desde 1973, a Associação Norte Americana de Enfermagem tem organizado bianualmente conferências nacionais sobre a classificação de Diagnósticos de Enfermagem (POTTER & PERRY, 1998).

“Quando as Enfermeiras prestam assistência aos pacientes, elas o fazem de maneira sistemática e científica” (ATKINSON & MURRAY, 1989). Esta técnica assemelha-se aos demais métodos de resolução de problemas, empregados no dia a dia por qualquer indivíduo.
Empregando processo de Enfermagem, o Enfermeiro coleta as informações relevantes relacionadas às necessidades de assistência de saúde do paciente e analisa os dados, baseado na observação direta, através de exames físicos e anamnese e através de exames laboratoriais, radiológicos. Enfim, qualquer dado que o leve a identificar os problemas passíveis de serem resolvidos independentemente pela enfermagem.

E partir daí, ele identifica os problemas, detecta as necessidades, ou seja, formula um diagnóstico, o Diagnóstico de Enfermagem. Em seguida, a Enfermeira determina quais as expectativas pode-se ter a serem atingidas com o paciente (objetivos). Ela considera então as diversas ações de Enfermagem que possam resolver ou reduzir o problema identificado. E escolhe aquelas com maiores probabilidades de atingir os resultados desejados. Esta etapa é denominada planejamento. São estabelecidos prioridades, os objetivos, os cuidados e os prazos para a resolução parcial ou total do problema identificado.O processo de enfermagem só funciona como um todo integrado, com as etapas sendo interrelacionadas, interdependentes e recorrentes.

Então a equipe de Enfermagem implementa ações prescritas pelo Enfermeiro, realizando a fase e intervenção de Enfermagem ou Implementação das Ações. Por último, o Enfermeiro avalia se os objetivos foram alcançados e até que ponto foram alcançados, analisando também se suas intervenções trouxeram os resultados esperados no prazo estipulado anteriormente. Ou seja, ele avalia sua atuação mediante determinado paciente e seu problema. Uma das conseqüências do Processo de Enfermagem é um plano escrito de assistência ao cliente. “Espera-se que cada paciente tenha um plano elaborado por uma Enfermeira formada, logo após a admissão ao hospital” (ATKINSON & MURRAY, 1989).
Para GARCIA & NÓBREGA (2000) o processo de cuidar em enfermagem, ou processo de enfermagem, entendido como um instrumento metodológico que nos possibilita identificar, compreender, descrever, explicar e/ou predizer como nossa clientela responde aos problemas de saúde ou aos processos vitais, e determinar que aspectos dessas respostas exigem uma intervenção profissional de enfermagem, implica na existência de alguns elementos que lhe são inerentes. Sob o ponto de vista do Conselho Internacional de Enfermeiras (ICN, 1996), esses elementos são: o que os exercentes da Enfermagem fazem (ações e intervenções de enfermagem), tendo como base o julgamento sobre fenômenos humanos específicos (diagnóstico de enfermagem), para alcançar os resultados esperados (resultados de enfermagem).

Para o Processo de Enfermagem tem sido aceito como a essência da assistência de Enfermagem. Embora as etapas deste processo tenham sido delineadas de diversas maneiras por muitos líderes de Enfermagem, os pontos comuns encontrados em todas as definições são: avaliação, Diagnóstico de Enfermagem, o planejamento, implementação e análise final.

Para a Enfermagem, o descaso com o registro sistemático dos elementos anteriormente mencionados (diagnóstico, ações/intervenções e resultados de enfermagem) pode resultar, por um lado, em ausência de visibilidade e de reconhecimento profissional; por outro lado, o que é talvez mais sério, em ausência ou dificuldade de avaliação de sua prática (GARCIA & NÓBREGA, 2000). Ainda segundo GARCIA e NÓBREGA (2000), “Idealmente, para que o processo de enfermagem, conforme o concebemos, possa ocorrer, torna-se necessário que o cliente comunique (verbal e/ou corporalmente) disponibilidade para envolver-se, expressando suas expectativas, valores, crenças, atitudes, preocupações e ansiedades relativas à situação que vivencia, e que participe ativamente na identificação de suas necessidades de cuidado, assim como na tomada de decisão acerca das metas pretendidas e dos caminhos para alcançá-las. Por sua vez, os exercentes da Enfermagem, aqui entendidos como os agentes do cuidado, devem acolher o cliente comunicando (verbal e/ou corporalmente) disponibilidade para compreender a situação vivenciada por ele, ajudando-o a expressar suas expectativas, valores, crenças, atitudes, preocupações e ansiedades; a identificar e compreender aspectos envolvidos na situação; e a reconhecer suas necessidades de saúde, de modo a facilitar sua participação ativa e a fortalecer os mecanismos de resolução positivos, para que alcance a meta do processo – a promoção, manutenção ou restauração de sua autonomia e de uma qualidade de vida digna  e saudável.”


Fonte:
https://docs.google.com/viewer?a=v&pid=sites&srcid=ZGVmYXVsdGRvbWFpbnxlbmZnbGF1Y298Z3g6MzMyNmNhYzk0YWY0NDRjMA&pli=1 

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