Click here for Myspace Layouts

Translate

Pesquisa personalizada

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

SALIVA

SALIVA

A saliva é um dos mais complexos, versáteis e importantes fluidos do corpo, que supre um largo espectro de necessidades fisiológicas. Suas propriedades são essenciais para a proteção da cavidade bucal, do epitélio gastrointestinal e do orofaringe. Além de umedecer os tecidos moles e duros da cavidade bucal, tem função de destaque no controle da quantidade de água do organismo. Quando o corpo está com falta de água, a boca fica seca, manifestando a sede.

A saliva desempenha diversas funções e em condições ideais de saúde o ser humano produz de 1 a 2 litros de saliva por dia!

A saliva diminui a acidez bucal, prevenindo a cárie. Muitos grupos sociais primitivos e indígenas, por não terem hábitos perniciosos, como o fumo, consumo excessivos de álcool e açúcar têm uma saliva de melhor qualidade e menor acidez, por isso menos cáries e problemas gastrointestinais.

Recentemente foi comprovado [1], através de pesquisas, que quando ratos tinham as glândulas salivares extraídas, adoeciam mais de infecções e intoxicações, o que justifica plenamente o hábito de "lamber as feridas" mantido pela maioria dos animais.

Todas as glândulas salivares maiores e menores contribuem para a composição da saliva. Essa composição varia de acordo com a taxa de secreção, que é baixa durante o sono e alta (± 1 ml por minuto) durante a estimulação. A secreção é controlada pelo centro salivar no cérebro, e o fluxo é gerado pelo paladar (gustação). A função mastigatória é controlada por meio de receptores no periodonto e nos músculos da mastigação.

A saliva é uma secreção exócrina de células especializadas que se denominam globalmente células salivares, e podem, ou não, congregar-se, formando glândulas: são as glândulas salivares (maiores e menores). A secreção salivar é um líquido aquoso que contém, em solução, uma multiplicidade de substâncias, principalmente proteínas e glicoproteínas. Dentro das glicoproteínas destacam-se a mucina, moléculas de alto peso molecular que conferem à saliva a propriedade de viscosa mucinosa. Quando a proporção de mucina predominar sobre a concentração de proteína na saliva, fala-se de secreção mucosa; no segundo caso, quando for maior a concentração de proteína fala-se de secreção serosa.

As células produtoras de saliva podem ter duas características citológicas diferentes, segundo o tipo de secreção salivar que sejam capazes de secretar. Por exemplo, as células que secretam saliva mucosa apresentam menor densidade eletrônica, são células claras, contendo poucos grânulos no citoplasma, que pelo fato de secretar mucina, são chamados grânulos mucinogênicos.

Estas células claras encontram-se nas glândulas salivares menores e, entre as maiores, principalmente na glândula sublingual e estão na parótida. As células salivares isoladas, espalhadas na mucosa bucal e faríngea, em geral, são apenas células com grânulos de mucinogênio (claras). As células secretoras de saliva serosa têm características diferentes; são escuras, porque contêm alta proporção de grânulos de zimogênio, isto é, formadores de proteínas, entre elas enzimas (zimo = fermento). Estas células só existem nas glândulas salivares maiores, mas predominam definidamente na glândula parótida (são praticamente as únicas) e diminuem, proporcionalmente, na submandibular, sendo escassas na sublingual. Estas células (claras e escuras) diferem ainda, entre si, pelas características do núcleo.

FUNÇÃO


 Preparação do bolo alimentar

Pelas propriedades cognitivas da saliva, em especial pela ação adesiva das glicoporteínas (mucina), pode-se colar partículas previamente quebradas pela ação mecânica da mastigaçãopara posterior deglutição.

Umidade

Confere o grau de umidade à mucosa bucal e faríngea e o ambiente úmido das vias digestivas superiores em geral.

Ação solvente e de limpeza

A água da saliva é o solvente no qual se dissolvem as substâncias que estimulam os corpúsculos gustativos, estimulação importante que mantém a secreção salivar (feed back positivo).

Proteção

A função protetora é expressa de varias formas. A saliva tem papel lubrificante. Seu conteúdo glicoprotéico, que torna mucinosa, protege a mucosa de revestimento, formando uma barreira contra estímulos nocivos, toxinas microbianas e pequenos traumas. Sua consistência fluida também provê uma ação de lavagem mecânica, a qual carreia bactérias não-aderentes e debris celulares da boca. Em particular, a limpeza promovida pela saliva limita a disponibilidade dos açúcares para os microrganismos da placa acidogênica. As proteínas da saliva que se ligam ao cálcio ajudam a formar uma película que se comporta como uma membrana protetora.

Tamponamento

A saliva comporta-se como um sistema tampão que protege a cavidade oral de duas maneiras: primeiro, muitas bactérias necessitam de um pH específico para seu crescimento máximo; a capacidade tampão da saliva evita a colonização da boca por microrganismos potencialmente patogênicas, por negar-lhes a otimização das condições ambientais: em segundo lugar, os microrganismos da placa podem produzir ácido a partir de açucares, os quais, não sendo rapidamente tamponado e limpos pela saliva, podem desmineralizar o esmalte.
Tampão

A capacidade-tampão da saliva (CTS) é a propriedade de a saliva manter o seu pH constante a 6,9-7,0, graças aos seus tampões, mucinato/mucina, HCO-3/H2CO3 e HPO--4/H2PO-4, que bloqueiam o excesso de ácidos e de bases conforme os mecanismos:

Excesso de ácidos (H+): HCO-3 → H2CO3 → H2O + CO2

Excesso de bases (HO-): HO- + H2CO3 → HCO-3 + H2O

Os tampões mucinato/mucina e monofosfato/bifosfato agem da mesma forma e. assim. o elevado poder tamponante da saliva mantém a higidez da mucosa bucal e dos dentes.

A determinação da CTS se faz por titulometria, medindo-se o volume de ácido láctico 0,1 normal necessário para baixar o pH salivar de 6,9 a 3,7 (ponto de viragem do alaranjado de metila). O indicador é amarelo-laranja a 6,9 e róseo a 3,7. Na prática, colocam-se 10ml de saliva num erlenmeyer, juntamente com o alaranjado de metila, e verte-se, na saliva, gota a gotra, o ácido láctico 0,1 normal colocado numa bureta, até ser atingida a cor rósea (viragem do alaranjado de metila). Fecha-se então a bureta e lê-se o volume de ácido láctico 0,1N gasto. Para exprimir a CTS usa-se multiplicar por 10 o volume de ácido láctico gasto. E assim, podemos classificar os pacientes em três grupos:

1.Pacientes medianamente susceptíveis à cárie dental: CTS = 40.

2.Pacientes resistentes à cárie dental: CTS = >40.

3.Pacientes muito susceptíveis à cárie dental: CTS = <40.

Dentro de certos limites, a CTS funciona como um índice relativo de atividade de cárie dental.

Digestão

A saliva é importante para a vida, fornecendo sensibilidade gustativa, neutralizando o conteúdo do esôfago, diluindo o suco gástrico, ajudando a formar o bolo alimentar e, devido ao seu conteúdo de amilase, quebrando o amido.

Gustação

A saliva possui também um papel na gustação. Embora ela permita que se tenha a sensação de satisfação da comida a ser experimentada, seu papel principal é o de proteção, permitindo o reconhecimento de substâncias nocivas. A saliva é necessária para dissolver substâncias a serem degustadas, assim dessa forma as papilas gustativas vão poder sentir o sabor do alimento e fazer com que ele seja digerido, além de informar ao cérebro o gosto do alimento. Ela contém, também proteína, chamada gustina, que parece ser necessária ao crescimento e maturação dos corpúsculos gustativos.

Ação antimicrobiana

Tem a saliva grande influência ecológica sobre os microrganismos que tentam colonizar os tecidos bucais. Além do efeito de barreira do seu conteúdo mucoso, ela contém um espectro de proteínas com propriedades antibacterianas, como é o caso da histatina. A lisozima é uma enzima que pode hidrolisar a parede celular de algumas bactérias. A lactoferrina liga-se ao ferro livre, privando, assim as bactérias do seu elemento essencial.

Anticorpos estão presentes na saliva. A principal imunoglobulina encontrada na saliva, IGA secretora, tem a capacidade de aglutinar microrganismos. Essa capacidade, juntamente com a ação de limpeza da saliva, serve para remover agregados de bactérias.

Manutenção da integridade dos dentes

A saliva é saturada com íons cálcio e fosfato. A alta concentração dos referidos íons garante trocas iônicas direcionadas à superfície dos dentes. Essa troca começa tão logo o dente erupcione, pois, embora a coroa esteja completamente formada sob ponto de vista morfológico, nesse momento, ela é cristalograficamente incompleta. A interação com a saliva resulta em maturação pós-erupção através difusão de íons, como o cálcio, fósforo, magnésio e cloreto, para a superfície dos cristais de apatita do esmalte.

Essa maturação aumenta a dureza da superfície, diminui a permeabilidade e aumenta a resistência do esmalte às cáries. Se, contudo, o processo carioso for instalado, poderá ser paralisado, antes de ocorrer a cavitação do esmalte, sendo possível o processo de remineralização é possível devido à disponibilidade de íons fosfato e cálcio na saliva. Se o íons fluoreto também estiver disponível na remineralização, a lesão reparada será menos susceptível a uma futura decomposição. Por outro lado, a saliva contém estaterina, que inibe a deposição de fosfato de cálcio, como também proteínas acídicas ricas em prolina, que, juntamente com a estaterina inibem o crescimento dos cristais de hidroxiapatita.

Reparação tecidual

Clinicamente, parece que o tempo de sangramento dos tecidos bucais é inferior aos dos outros tecidos. Quando a saliva é experimentalmente misturada com sangue, o tempo de coagulação pode ser muito acelerado (embora o coágulo resultante seja menos sólido que o normal). Estudos experimentais em camundongos têm mostrado que a contração da ferida é significantemente aumentada na presença da saliva, devido ao fator de crescimento epidérmico que ela contém, produzido pelas glândulas submandibulares. Ainda que com menor freqüência, o fator de crescimento ocorre na saliva humana, mas seu efeito sobre os processos de reparação ainda não foi demonstrado.

Fonte:
Tratado de Fisiologia Aplicado à Saúde; C. R. Douglas.; 5 º edição; Guanabara Koogan.
Histologia bucal, Desenvolvimento, Estrutura e função; A. R. Ten Cate; Quinta edição; Guanabara Koogan; 1998.
Bioquímica odontológica; Aranha, Fávio leite ; São Paulo: Savier, 2 ed.; Revista e ampliada., 2002.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Saliva

Nenhum comentário:

Política de privacidade

" O conteúdo das matérias desse portal é de caráter meramente ilustrativo e informativo. Nenhuma informação obtida a partir deste conteúdo , deverá substituir , do ponto de vista ético ou legal , a orientação de um médico ( ou de outro profissional da área da saúde ) , em relação aos aspéctos preventivos, diagnósticos e de tratamento , das diversas doenças ou condições clínicas " .

Não é finalidade deste portal a análise, comentário ou emissão de qualquer tipo de diagnóstico aos usuários, tarefa esta reservada unicamente ao seu respectivo médico de confiança, como também não é finalidade deste portal republicar artigos como sendo de minha própria autoria, ou mesmo para fins lucrativos, comerciais. Este site tem apenas a finalidade de transmitir informações interessantes a leigos e profissionais de saúde como forma de esclarecimento, dando sempre créditos aos seus autores, sem nenhum fins lucrativos.

Tenho referenciado todos os textos com autoria e fonte. Quando possível publico também o site e informações de contato do autor. Se você deseja usar algum texto publicado nesse portal, por favor, referencie. Informe com clareza a autoria e a fonte.






"O futuro pertence aqueles que acreditam na beleza de seus sonhos..."

"Amar ao próximo é amar a si mesmo." Fonte: médicos sem fronteiras.


So Enfermagem

.
Márcia Florêncio. Tecnologia do Blogger.